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Folha fabricou epidemia de febre amarela, diz pesquisadora

No verão de 2007-2008, matérias publicadas na Folha de S. Paulo alardearam o “aumento progressivo” da doença, assustaram a população e sobrecarregaram ainda mais o sistema de saúde
São Paulo – O aumento progressivo do número de casos de febre amarela de grandes proporções, projetado nas matérias publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo no verão entre 2007 e 2008 felizmente não foi além das estratégias discursivas da cobertura jornalística deste que se intitula “um jornal a serviço do Brasil”. Mas foi propagada a tese de uma iminente epidemia da doença, de grandes proporções, na qual a vacinação representava o limite entre a vida e a morte, sem que os riscos do uso indiscriminado do imunizante antiamarílico fossem divulgados.

Essas são as principais constatações da pesquisa “Epidemia midiática: um estudo sobre a construção de sentidos na cobertura da Folha de S. Paulo sobre a febre amarela, no verão 2007-2008”, realizada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

A jornalista Claudia Malinverni, funcionária concursada da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e autora da pesquisa para seu mestrado, analisou 118 matérias veiculadas pelo jornal entre 21 de dezembro de 2007 e 29 de fevereiro de 2008, além de 40 boletins emitidos pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde no mesmo período.

Um dos resultados da epidemia midiática foi a explosão da demanda pela vacina, que obrigou o Ministério da Saúde a distribuir, entre dezembro de 2007 e 22 de fevereiro de 2008, 13,6 milhões de doses da vacina antiamarílica, 10 milhões de doses acima da distribuição média de rotina para o período. Em menos de dois meses, mais de 7,6 milhões de doses foram aplicadas na população, 6,8 milhões só em janeiro de 2008, ápice do agendamento da imprensa. Em razão do aumento exponencial do consumo de vacina, o Brasil, um dos três fabricantes mundiais do antiamarílico, suspendeu a exportação do imunobiológico e pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) mais 4 milhões de doses do estoque de emergência global.

Na entrevista a seguir, Claudia dá mais detalhes sobre os resultados de seu estudo.


Você chegou a acompanhar a cobertura do tema pela Folha de S. Paulo na época da suposta epidemia? 
Sim. A Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), onde trabalhava, é um órgão estadual responsável pelas políticas e ações de controle de todas as doenças e agravos que se manifestam no território paulista, aí incluída a febre amarela. Por isso, no âmbito da minha área de atuação, acompanhei de perto os impactos da cobertura jornalística sobre o sistema estadual de imunização.

Que avaliação você fazia da abordagem? 
Em razão da minha formação eu sabia que, do ponto de vista dos conceitos epidemiológicos, a abordagem jornalística como um todo estava errada. E aqui não se trata de ilação; estou falando de um discurso, o da epidemiologia, que negava a prática discursiva midiática.

Pode explicar melhor?

Vejam o seguinte: a febre amarela apresenta dois ciclos distintos, um silvestre e outro urbano, que diferem, respectivamente, quanto ao vetor (mosquitos responsáveis pela transmissão do vírus), hospedeiro (macacos e humanos), área de ocorrência dos casos (florestas e zonas urbanas) e, sobretudo, potencial de disseminação da doença. É importante ressaltar que desde a década de 1940 o Brasil não registra casos de febre amarela urbana. Os três últimos ocorreram em 1942, na cidade de Sena Madureira, no Acre. Portanto, o evento amarílico do verão de 2007-2008, objeto da minha pesquisa, era o silvestre. Ocorre que o noticiário estava ignorando toda uma prática discursiva teórica, que tem cerca de meio século e foi insistentemente reafirmada e reproduzida pelas autoridades de saúde pública (Ministério e Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde), que indicava que o evento amarílico em curso estava dentro da normalidade. Dito de outro modo, os casos de febre amarela registrados então estavam absolutamente de acordo com o comportamento natural do ciclo silvestre, segundo o discurso epidemiológico.

Quem escrevia as matérias?
Este é um dado importante da pesquisa. Analisei especificamente a Edição SP do jornal Folha de S.Paulo, que circula na Capital e Grande São Paulo (à exceção da região do ABCD) e é produzida, segundo a própria Folha, especificamente para o leitor desta região (a propósito, indene para febre amarela silvestre, ou seja, livre da circulação do vírus amarílico). As grandes reportagens – todas publicadas na editoria Cotidiano, de perfil essencialmente generalista, na qual são abordados os temas de interesse geral, como educação, saúde, polícia, trânsito) eram assinadas por jornalistas de diferentes equipes. Além da reportagem local, o que indica que a matéria é produzida pela equipe de São Paulo, muitas reportagens são assinadas por jornalistas de outras praças, sob a chancela da Agência Folha (de Brasília, Belo Horizonte, Interior paulista, por exemplo).

O jornal deu mesmo muita atenção à epidemia…

Essas autorias indicam uma mobilização intensa da redação em torno do tema. Por outro lado, a febre amarela ocupou um espaço significativo nas editorias Opinião e Brasil, dedicadas a temas que a Folha elege como de “interesse nacional”, notadamente política, economia. Nessas editorias, o tema foi seguidamente abordado por colunistas e articulistas, todos não especialistas em saúde pública. No trabalho, categorizei essas matérias como “textos de opinião”, interpretativos e de natureza não jornalística, na perspectiva das teorias da comunicação, como agenda-setting e framing, respectivamente “agendamento da notícia” e “enquadramento do texto”. De modo geral, como não trazem informação nova e são, basicamente, a manifestação de um juízo de valor, textos desta natureza dão à cobertura jornalística alto grau de subjetividade. Os textos de opinião responderam por cerca de 37% do noticiário veiculado. Destaco que, ao longo de toda cobertura, o jornal publicou apenas um texto de opinião de especialista (um médico), a propósito contrário à tese de epidemia amarílica e de vacinação em massa, que era então o principal enquadramento da febre amarela no jornal.

O que diziam os informes das autoridades de saúde na época?

Localizei e analisei 40 documentos emitidos pela Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão do Ministério da Saúde responsável pelo controle de doenças e agravos, no âmbito federal. Todos, sem exceção, afirmavam e reafirmavam que o episódio estava de acordo com o comportamento natural do ciclo silvestre. Aqui é importante explicar que a forma silvestre da febre amarela apresenta epizootias (manifestação de uma doença contagiosa entre animais não humanos, geralmente com óbitos entre esta população) regulares, que se manifestam a cada cinco ou sete anos, segundo estudos epidemiológicos. No Brasil, desde o início dos anos 2000, o ciclo silvestre é monitorado por um sistema público de vigilância que tem como evento sentinela o adoecimento e/ou morte de macacos (epizootia). Logo, óbitos de macacos nas regiões endêmicas ou de transição para febre amarela são um forte indicativo de que o vírus amarílico está circulando, em plena atividade. A última grande epizootia brasileira havia ocorrido em 2001, quando o número de casos e óbito foi expressivamente maior do que o do ciclo de 2007-2008. Logo, o evento ora analisado estava dentro desta perspectiva cíclica da doença.
Além disso, invariavelmente, os documentos descreveram as principais medidas do sistema brasileiro de vigilância da febre amarela, entre elas a vacinação da população que vive ou viaja para áreas de risco, atualização do número de casos suspeito, óbitos. Essas informações – contidas no que categorizei, para efeito de análise, como “discurso oficial” – ora foram ignoradas, ora relativizadas.

Como o jornal ignorava ou relativizava as informações das autoridades de saúde? 
No caso da cobertura da Folha, a estratégia discursiva da relativização do “discurso oficial” fica evidente na edição do dia 14/01/2008. Nela, a febre amarela foi manchete (principal chamada da capa) e reportagem de destaque da editoria Cotidiano. Reproduzida ipsis litteris nesses dois espaços editoriais, a matéria é apresentada sob o título “Ministro vai à TV negar epidemia de febre amarela”, seguido do seguinte texto de abertura: “No dia em que o número de notificações de casos suspeitos de febre amarela subiu de 15 para 24, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) foi à TV fazer um pronunciamento em cadeia nacional para dizer que ‘não existe risco de epidemia’”. Nessa leitura, o aumento nas notificações de casos suspeitos relativiza (para baixo) o valor absoluto da informação dada pela autoridade de saúde pública, qual seja, de que o país não corria risco de sofrer uma epidemia de febre amarela. Esta relativização pode ter produzido no leitor leigo a ideia de que o ministro, logo, o próprio governo federal, recusava-se a aceitar um acontecimento que, discursivamente, parecia consumado: a febre amarela configurava-se como um evento indiscutivelmente epidêmico.

Quais seriam os objetivos dessa abordagem escolhida pelo jornal?
Minha pesquisa limitou-se à análise das práticas discursivas, portanto, à busca dos repertórios interpretativos, veiculados no texto, que produziram o sentido epidêmico do acontecimento amarílico. Não entrevistei os profissionais do jornal, portanto, do ponto de vista da pesquisa, não tenho condições de realizar a análise solicitada. O que posso assegurar, ancorada em marcos teóricos consistentes do campo da comunicação, é que a transformação de um acontecimento cotidiano em notícia depende basicamente das condições de produção dadas pela empresa jornalística (o chamado newsmaking) e da sua política editorial, seja qual for a sua filiação ideológica. A notícia, ao contrário do que reza a lenda profissional, não é a mera reprodução de uma realidade dada, de um fenômeno objetivo que repousa no cotidiano à espera de jornalistas intrépidos, em busca da verdade factual, que a resgatará do cotidiano. Isso é mito, retórica que romantiza a profissão. A notícia é uma imagem da realidade social, produzida pelos veículos de comunicação em consonância com o seu newsmaking e com a sua política editorial. E é uma imagem poderosa, que forma opiniões e cria novas crenças; que cria doenças… cria epidemias.

E o aspecto da vacinação? Você acha que havia interesse dos fabricantes alinhavado com a cobertura? 
Aqui vale a mesma premissa. Minha pesquisa não permite emitir qualquer análise nesse sentido. Contudo, é preciso esclarecer que a vacina antiamarílica passa ao largo de interesses de mercado, uma vez que sua produção está a cargo do BioManguinhos, laboratório público, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Embora não faça esse tipo de discussão no meu trabalho, particularmente acredito que a ênfase na vacina deve-se ao fato de ela conferir imunidade prolongada contra o vírus (a vacina tem validade de dez anos). Além disso, é bom lembrar que, de modo geral, os imunobiológicos são um consenso nacional, exercendo grande poder de sedução junto à população brasileira e à mídia, que há décadas adere incondicionalmente às campanhas de vacinação. Em resumo, o Brasil gosta de vacina!

Quais os efeitos colaterais desse tipo de vacina?
A vacina contra a febre amarela é, indiscutivelmente, segura e efetiva no controle da doença. Há raros registros de complicações graves pós-vacinais. Segundo a literatura, entre 2% a 5% dos vacinados apresentam algum tipo de reação. Mas, como qualquer produto farmacêutico, como a vacina, pode apresentar efeitos colaterais ou eventos adversos. Algumas vezes, essas reações podem ser bastante graves. No caso da vacina antiamarílica, a mais perigosa reação, embora rara, é a doença viscerotrópica (DV), que pode causar choque, derrame pleural e abdominal e falência múltipla dos órgãos. Felizmente, a DV tem sido bastante rara no Brasil. Em nove anos (1999-2007), o Sistema de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV), vinculado ao Programa Nacional de Imunização (PNI/MS), registrou oito casos, com sete óbitos. Contudo, em 2008, foram confirmados oito casos de reação adversa grave, dos quais seis foram a óbito. Duas dessas mortes foram confirmadas como doença viscerotrópica e uma, até o encerramento da minha pesquisa, ainda estava em investigação. É um número bastante expressivo e, provavelmente, está relacionado ao número muito alto de doses aplicadas em um curtíssimo período. Entre o final de dezembro de 2007, quando as primeiras notícias sobre a doença começaram a ser veiculadas com destaque por diversos veículos de imprensa de todo o país, e 22 de fevereiro de 2008, foram distribuídas aos Estados e Distrito Federal 13.630.700 doses da vacina antiamarílica – a série histórica do programa indica uma distribuição de rotina entre 15-16 milhões ao longo de um ano, ou aproximadamente 1,35 milhão de doses ao mês. Em pouco menos de dois meses, mais de 7,6 milhões de vacinas foram aplicadas, 6,8 milhões só em janeiro de 2008. A grande maioria das pessoas não tinha indicação para a vacina antiamarílica.
Vale lembrar que, em razão do aumento exponencial do consumo de vacina, o Brasil, que é um dos três fabricantes mundiais do antiamarílico, suspendeu a exportação do imunobiológico. Além disso, em fevereiro de 2008, o Ministério da Saúde pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) mais 4 milhões de doses do estoque de emergência global. É curioso notar que este pedido foi um paradoxo, porque visava a atender a uma eventual necessidade de vacinação em massa, que o próprio ministério descartava insistentemente.

E como se comportaram as autoridade médicas na época em relação ao caso?
Do ponto de vista institucional, e acredito também legal, a única intervenção possível foi feita: a divulgação sistemática de informações oficiais. Ocorre que até o registro do primeiro óbito suspeito de febre amarela vacinal, em 31 de agosto de 2008, em nenhum momento o fluxo discursivo da autoridade de saúde conseguiu contrapor-se ao fluxo discursivo midiático, ao menos no jornal que analisei. Essa incapacidade fica muito, muito clara na análise do conteúdo dos documentos divulgados pelo Ministério da Saúde. Quase nada, incluindo uma longa descrição das medidas de controle da doença, foi divulgado. E quando isso aconteceu, como já disse, o “discurso oficial” foi relativizado.
Para se ter uma ideia deste descuramento (omissão) do “discurso oficial”, em 15 de janeiro, o jornal publicou uma entrevista, estilo pingue-pongue, com uma especialista em saúde pública da Universidade de Harvard, que fazia uma série de recomendações às autoridades brasileiras para o enfrentamento da febre amarela. Ressalte-se que essas “recomendações” já haviam sido publicizadas em dois documentos oficiais, divulgados pela SVS/MS em 9 de janeiro, portanto, seis dias antes da referida entrevista. Mas no texto publicado pelo jornal não há qualquer menção ao documento do Ministério.

O que podemos aprender com o episódio?
Acho importante que possamos refletir sobre as repercussões que os sentidos midiatizados têm sobre os processos saúde/enfermidade vivenciados pelas pessoas no cotidiano. No caso da febre amarela, especificamente, os impactos da cobertura jornalística sobre o sistema público de saúde demandam uma discussão crítica sobre o papel do jornalismo generalista no campo da saúde, particularmente da saúde pública. Todas as práticas discursivas implicam produção de sentidos no cotidiano, ou seja, a construção da realidade, inclusive a do jornalismo. A bandeira da liberdade de expressão, reconhecida e legitimada nas sociedades ocidentais como instrumento fundamental à cidadania, não pode servir de salvo conduto ao fazer jornalístico. Ao contrário, como produtor poderoso de significação, o discurso jornalístico também deve ter em perspectiva as complexidades dos processos do adoecimento humano e os limites do conhecimento no tratamento das doenças.

Novo local

Publicado: 13 de julho de 2010 em Imprensa
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Atos secretos no Senado chegam ao total de 650

O Estado de S. Paulo

Atos secretos no Senado chegam ao total de 650

A comissão de sindicância que analisa os atos secretos do Senado já detectou cerca de 650 decisões mantidas sob sigilo nos últimos anos. A equipe de trabalho pretende adotar, em seu relatório final, o termo “boletins não publicados” e recomendar uma investigação sobre cada ato para saber os motivos que levaram à sua não divulgação. O relatório deve sugerir ainda que a análise sobre o significado de cada ato e os motivos de seu sigilo – erro técnico ou proteção intencional – seja feita por órgãos de dentro do Senado, como Advocacia-Geral e Secretaria de Controle Interno, e também de fora da Casa, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pressionou nos últimos dias para que a expressão “ato secreto” fosse retirada da conclusão final da comissão. Mergulhado numa crise após o Estado revelar a existência dos documentos, o senador pediu que a investigação apontasse para um erro técnico no sistema interno do Senado.

Sarney não pode ser ”tratado como pessoa comum”, diz Lula

Do Casaquistão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que o parlamentar não é “uma pessoa comum” e questionou a veracidade das denúncias sobre a criação de cargos e nomeação de parentes por atos secretos. A fala foi afinada com o discurso feito no dia anterior por Sarney, da tribuna, no qual ele se esquivou do escândalo, alegando que a responsabilidade é coletiva, ou seja, dos senadores e da Casa. Na entrevista, antes de embarcar em Astana, capital do Casaquistão, última etapa de sua turnê pela Europa e Ásia Central, Lula criticou o “processo de denuncismo” e afirmou que não sabe “a quem interessa enfraquecer o Legislativo”.

Senador repete discurso da véspera e despista cobranças

Horas antes de receber um ultimato de um grupo de parlamentares para promover no prazo de uma semana a eleição de um novo diretor-geral para o Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), repetiu o discurso do dia anterior: lançou mão novamente de sua biografia, para tentar escapar de denúncias que atingiram a sua imagem e a do Senado. Ele começou o dia em uma solenidade na sala contígua a seu gabinete, onde foi lançada uma campanha publicitária para melhorar a imagem do Congresso. Não disse sequer uma palavra sobre reformar a estrutura administrativa do Senado, que permitiu a proliferação de atos secretos. Mais tarde, já no plenário, foi frontalmente cobrado por senadores, que clamam por mudanças imediatas na Casa.

Em sigilo, Senado demitiu irmão do seu presidente

Um irmão do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi exonerado, por meio de ato secreto, de um cargo de confiança da Casa. A demissão do escritor e advogado Ivan Sarney (PMDB) saiu só agora no sistema interno do Senado, mas com data de 30 de abril de 2007. Ele se soma a outros seis parentes de Sarney que estão ou passaram discretamente pela folha de pagamento do Senado nos últimos anos, além de dois afilhados políticos. Vereador de São Luís entre 1992 e 2004, Ivan, de 64 anos, foi acomodado no dia 5 de maio de 2005 na Segunda Secretaria do Senado, então ocupada pelo senador João Alberto (PMDB-MA), hoje vice-governador do Maranhão. Na época da nomeação, Ivan era suplente de vereador na capital maranhense. Sua nomeação no Senado foi pública, misturada a outros 26 atos, em um mesmo boletim.

Casa aprova indicado de Mendes para CNJ com o mínimo de votos

Após votação acirrada em dois turnos, o professor de direito Marcelo Neves venceu a disputa pela indicação do Senado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas a vitória deve ser comemorada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que trabalhou publicamente pela indicação de Neves e chegou a trombar com líderes do DEM e PSDB. Marcelo Neves obteve 41 votos, o mínimo necessário para ser indicado. Contou com o apoio de líderes governistas, além do patrocínio de Mendes. O segundo colocado, o advogado Erick Pereira, que tinha como principais apoiadores os líderes do DEM, José Agripino (RN), e do PSDB, Arthur Virgílio (AM), obteve apenas 20 votos e saiu derrotado. A confusão em torno da indicação começou quando o presidente do STF e o governo decidiram intervir na disputa. Até aí, Pereira era o favorito, por reunir o apoio dos líderes dos principais partidos, incluindo o PT, PMDB, PSDB e DEM.

Senadores querem saída de diretor em uma semana

Exatas 24 horas depois de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), subir à tribuna para dividir com seus pares a responsabilidade pela crise que abala a instituição, um grupo de oito senadores do PSDB, PMDB, PT e PDT cobrou-lhe, de público, a adoção de medidas administrativas que ele ficara devendo no discurso. Os parlamentares querem a demissão do diretor-geral da Casa e de toda a atual diretoria e deram uma semana de prazo para que Sarney indique o substituto de Alexandre Gazineo. Embora a cobrança com prazo fixo soe como um ultimato, o grupo deixou claro que não há qualquer ameaça de tirar Sarney do cargo. “Queremos resolver o impasse, mas não é uma reunião para decapitar Sarney. Queremos repensar o Senado”, afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Senado abre caminho para PEC dos vereadores

O plenário do Senado aprovou ontem emenda à Constituição que reduz o porcentual de repasse de recursos para as câmaras municipais. A aprovação da proposta foi comemorada por meia centena de suplentes de vereadores que encheram as galerias do plenário do Senado, porque abre caminho para a promulgação da emenda constitucional que aumenta em 7.343 o número de vereadores em todo o País. A emenda foi aprovada a toque de caixa em dois turnos de votação pelo plenário do Senado, antes de seguir para apreciação da Câmara. No primeiro turno foram 62 votos a favor e apenas quatro contra. No segundo turno, 56 senadores votaram a favor e 6 contra.

Lula leva 8 ministros a mutirão na Amazônia

Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de oito ministros – mas com o cuidado de não pôr no mesmo palanque Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura), que vivem às turras -, o governo lança amanhã em três locais diferentes um grande mutirão que pretende levar para a Amazônia linhas de crédito, facilidades burocráticas para a regularização fundiária, assistência técnica especializada e difusão de tecnologias. Lula, Minc, José Pimentel (Previdência) e o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini, ficarão em Alta Floresta, município amazônico a 830 quilômetros ao norte de Cuiabá (MT); Dilma Rousseff (Casa Civil), Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) e Márcio Fortes (Cidades) vão para Porto Velho (RO); Stephanes, Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Altemir Gregolin (Pesca) e o presidente do Banco da Amazônia, Abdias Júnior, estarão em Marabá (PA), a cerca de 800 quilômetros ao sul de Belém. Das cerimônias participarão ainda os governadores de Mato Grosso, Blairo Maggi (PT), de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido) e do Pará, Ana Júlia (PT).

Ruralistas tentam preservar MP

A proximidade da sanção da medida provisória que regulariza as posses de até 1,5 mil hectares na Amazônia deu início a um movimento de pressão em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a favor e contra vetos, e a uma guerra de cartas e e-mails. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) iniciou ontem um bombardeio que pode chegar a 1 milhão de cartas e e-mails ao presidente para pedir que nada seja vetado. Já a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) mandou carta ao presidente pedindo vetos à MP. Antes, a senadora Marina Silva (PT-AC) e 23 procuradores da República que atuam na Amazônia solicitaram a Lula, por meio de cartas, veto a artigos que consideram prejudiciais à região, como os que permitem a venda das posses para empresas, o que libera o uso de um preposto e o que reduz de dez para três anos o prazo exigido para que uma propriedade legalizada possa ser vendida. O documento da Contag mandado a Lula faz pedidos muito parecidos aos de Marina e dos procuradores da República.

União indeniza camponês do Araguaia

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anuncia hoje, em São Domingos do Araguaia (PA), a conclusão de 91 processos de anistia política e pedidos de indenização em favor de camponeses perseguidos pelo Exército durante a repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975). São pessoas que não participaram dos combates, mas foram perseguidas pelo Estado e que tiveram de esperar décadas para serem reparadas. Sem vínculos com a guerrilha ou o Exército, muitas famílias de camponeses perderam terras e filhos e hoje cobram uma reparação. Um dos atingidos pela repressão à guerrilha e que pede indenização é Eduardo Rodrigues, que vivia com a família num sítio na Faveira, povoado próximo a São Domingos do Araguaia, onde atuou o Destacamento A da guerrilha.

Bancada paulista do PT resiste a Ciro

Em meio à crise que se abriu no PT paulista, a bancada do partido na Assembleia Legislativa engrossou ontem o coro contra a possibilidade de apoio a uma eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo estadual. Reunidos na manhã de ontem, os deputados fecharam posição em favor da candidatura própria do PT ao Palácio dos Bandeirantes. A decisão dá caráter formal às reações que surgiram no partido nos últimos dias. “Constrange um pouco o PT a ideia de importar um candidato para uma eleição tão importante”, afirmou o deputado estadual Simão Pedro, ex-líder do PT na Assembleia. Segundo o deputado Roberto Felício, petistas já planejam elaborar um novo documento em defesa da candidatura própria, para se somar a uma resolução aprovada pelo Diretório Estadual em abril. “Já me comprometi a assinar.” Para manifestar a posição, a bancada escolheu o momento em que se reunia com o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, que já anunciou sua pré-candidatura.

STF derruba diploma para jornalista

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem, por 8 votos a 1, a exigência de diploma de jornalista para exercer a profissão. Essa obrigatoriedade tinha sido imposta por um decreto-lei de 1969, época em que o País era governado pela ditadura militar. Relator do caso no STF, o presidente do tribunal, Gilmar Mendes, disse que o jornalismo é uma profissão diferenciada, que tem vinculação com o exercício amplo das liberdades de expressão e de informação. Segundo ele, exigir o diploma de quem exerce jornalismo é contra a Constituição, que garante essas liberdades. A exigência do diploma já estava suspensa desde 2006, por uma liminar concedida pelo STF. “O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua, profissional e remunerada. Os jornalistas são aquelas pessoas que se dedicam profissionalmente ao exercício pleno da liberdade de expressão. O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de forma separada”, afirmou Mendes.

Folha de S. Paulo

Lula defende Sarney e critica o “denuncismo” da imprensa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou o que chamou de “denuncismo” em torno dos escândalos no Senado e saiu em defesa do presidente da Casa, José Sarney, que na véspera havia afirmado que não era responsável pela crise. Lula questionou a veracidade das revelações de irregularidades no Senado, mas pediu uma “investigação séria”. O presidente também fez um alerta à imprensa, afirmando que, ao questionar as práticas do Congresso, sua própria credibilidade poderá ser abalada. As declarações foram feitas pouco antes de Lula embarcar de volta ao Brasil de Astana, capital do Cazaquistão, onde encerrou uma viagem que incluiu passagens por Suíça e Rússia. “Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim, e depois não acontece nada”, disse Lula.

Em 86, petista acusou Sarney de ser “grileiro”

O discurso do presidente Lula em relação ao Congresso mudou à medida que o petista trocou a oposição pelo governo. Em 1993 ele declarou que, “de todos os deputados no Congresso, pelo menos 300 são picaretas”.
Repetiu a crítica em 1994 (“Aquilo que eu falei de 300 é um pouco mais”) e 1998 (“Uma vez falei que havia uns 300 picaretas no Congresso, mas a coisa só piorou”). Em 2002, com a vitória à vista, a retórica mudou.
Aceitou o apoio do senador José Sarney, a quem havia chamado de “grileiro”, em 1986 (“Sarney não vai fazer reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Estado do Maranhão”), e de “ladrão”, em 1987 (“Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República”).

Para Lula, “ruim com eles, pior sem eles”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa de José Sarney para evitar o progressivo enfraquecimento político do grupo peemedebista que sustenta o governo no Senado. Nas palavras de um auxiliar direto do presidente, “ruim com eles, pior sem eles”. Fulanizando, “eles” são Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Lula depende do PMDB, dono da maior bancada no Senado, para evitar tropeços numa Casa do Congresso na qual tem maioria instável desde o primeiro mandato.
Não interessa a Lula o enfraquecimento de Sarney e Renan. Nas ocasiões em que isso aconteceu, “o governo pagou o pato”, recorrendo novamente às palavras de um auxiliar direto do presidente.

Senadores fazem lista de exigências a Sarney

Aproveitando o momento de fragilidade do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), um grupo de senadores decidiu apresentar uma lista de reivindicações para forçá-lo a adotá-las em nome da superação da atual crise. Foram listadas oito propostas, que incluem o corte de pessoal, a demissão do diretor-geral, a redução de benefícios e uma auditoria externa. As sugestões foram elaboradas por oito senadores de PSDB, PDT, PSB, PT e PMDB. “Avaliamos que é nossa função acelerar mudanças na Casa. Sem cobrança, elas não virão. Este é o momento”, afirmou Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB. Várias das sugestões apresentadas são genéricas.

Em 14 anos, Senado teve 623 atos secretos

O Senado já contou 623 atos secretos na Casa entre 1995 e 2009. Os dados são da comissão interna de três servidores criada para investigar o caso. O relatório final deverá ser divulgado na semana que vem.
Anteontem à noite, o documento foi levado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pela presidente da comissão, Doris Peixoto, que também é a diretora-geral adjunta da Casa. A intenção era divulgar o relatório ainda esta semana, mas foi atrasada por causa do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que se recupera de uma cirurgia em São Paulo e só deve voltar para Brasília na semana que vem.

Relator pede a cassação de deputado dono de castelo

O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) recomendou ontem a perda de mandato do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética da Câmara. O petista é o relator do caso. O pedido de perda de mandato aconteceu pois Fonteles entendeu que Edmar Moreira fez mau uso da verba indenizatória, valor mensal a que os deputados têm direito para despesas do mandato no Estado. Moreira, dono de um castelo avaliado em cerca de R$ 25 milhões no interior de Minas, usou notas de suas próprias empresas de segurança para justificar os gatos de R$ 230,6 mil, entre 2007 e 2008, com a verba. Ele não quis comentar o relatório.
“A quebra do decoro não implica, necessariamente, a existência de conduto delituosa do ponto de vista penal. (…) O Juízo sobre o decoro é de natureza eminentemente ético-política, sendo moldado pelo sentimento social do que se deva considerar como ético, moral, correto num determinado momento histórico”, avaliou Fonteles.

STF revoga a exigência de diploma para jornalismo

O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem por 8 votos a 1 a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. O STF julgou que o decreto-lei 972 de 1969, que exige o documento, é incompatível com a Constituição de 1988, que garante a liberdade de expressão e de comunicação. É a segunda decisão importante na área da comunicação tomada pelo STF neste ano. Em 30 de abril, o tribunal também revogou a Lei de Imprensa, editada em 1967, durante a ditadura, pelas mesmas razões. O Ministério Público Federal e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo entraram com uma ação contra a obrigatoriedade do diploma e, em 2001, a 16ª Vara de São Paulo anulou a exigência, restabelecida em 2003 pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Para Ciro, candidatura em SP é “fofoca forte”

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) chamou de “fofoca forte” a cogitação de uma eventual candidatura sua ao governo de São Paulo e afirmou que o presidente Lula erra ao pensar que sua popularidade vai se transformar em votos para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em 2010.
Em Porto Alegre, Ciro disse que os rumores de que pode disputar o governo paulista são alimentados por interessados em que Dilma seja a única presidenciável do campo lulista. Mas Ciro não afastou a hipótese da disputa estadual.

Governo indenizará moradores do Araguaia

O governo Lula pedirá hoje a 91 moradores da região do Araguaia, no Pará, perdão por crimes cometidos contra eles há três décadas pelos militares que combatiam na selva amazônica a guerrilha organizada pelo então clandestino PC do B. Cada um receberá até R$ 100 mil de indenização. O pedido de desculpas será apresentado em praça pública, na cidade de São Domingos do Araguaia (540 km ao sul de Belém), pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo presidente da Comissão de Anistia do governo, Paulo Abrão Júnior. Os 91 -a maioria com idade entre 70 e 80 anos- foram selecionados em um grupo de 287 moradores da região do Araguaia, que inclui o sudeste do Pará, o sul do Maranhão e o norte de Tocantins. Eles foram interrogados pela Comissão de Anistia em 2007 e 2008. Será a primeira vez que camponeses sem ligação com movimentos sociais ou partidos receberão esse tipo de indenização.

Oposição a Serra é derrotada em sessão de estreia de CPI

Definida pela oposição ao governo José Serra (PSDB) como “a primeira CPI a investigar o governo tucano em uma década”, a Comissão Parlamentar de Inquérito da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) teve sua primeira sessão, ontem, dominada pelos aliados do governador. Nenhum dos quatro requerimentos pedidos pela oposição -todos de convite a autoridades ligadas a investigações de irregularidades na CDHU- foi aprovado. Aliados de Serra dominam a CPI, com 7 dos 9 integrantes, e ocupam os principais cargos. O presidente é José Augusto da Silva Ramos (PSDB), o vice, Milton Flávio (PSDB), e o cargo de relator ficou com Roberto Morais (PPS), também da base de apoio.

Comissão da Câmara aceita projeto que reabre bingos

O lobby do jogo venceu ontem mais uma batalha em sua guerra pela legalização no país, com a aprovação, na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, do projeto que autoriza a volta de bingos, videobingos e videoloterias. Os cassinos, também previstos na proposta original, foram vetados pela bancada do governo federal. Para que os bingos sejam legalizados, o projeto ainda precisa de aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e do plenário da Câmara, além de todo o trâmite nas comissões e no colegiado do Senado, antes de ir à sanção presidencial. O projeto aprovado ontem teve intensa participação da Abrabin (Associação Brasileira dos Bingos) e o empenho pessoal do deputado federal Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP).

TCU aponta mais irregularidades no Pan, e Congresso cria Ato Olímpico

No mesmo dia em que o projeto da Rio-16 foi apresentado na Suíça, o Tribunal de Contas da União voltou a apontar irregularidades nos gastos para a organização do Pan do Rio-07. Desta vez, os problemas aparecem em contratações de empresa para a montagem de instalações provisórias. São dois contratos, um celebrado pelo Ministério do Esporte e outro pelo governo do Rio. Dentre os problemas levantados pelo TCU está a compra de 1.628 equipamentos de ar-condicionado e instalação de apenas 813. Há também suspeita de pagamento em duplicidade de taxas de administração. Segundo o tribunal, pode haver falhas nas concorrências. Há suspeita de conluio entre as empresas que participaram da pesquisa de preços para a concorrência do Ministério do Esporte. No contrato do governo do Estado, havia proposta de menor na valor na pesquisa de mercado realizada. Ela não foi aceita, sem explicação.

O Globo

Lula defende Sarney e faz críticas a denuncismo

Em visita ao Cazaquistão, o presidente Lula saiu em defesa do aliado presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que na véspera alegara que a crise da Casa é da instituição e não dele. Lula atacou o que chamou de “política de denuncismo”, numa crítica à imprensa, e afirmou que Sarney “tem história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum”. Ontem, foi descoberto que, além de um neto e sobrinhos, uma prima e uma sobrinha do marido da governadora Roseana Sarney (PMDB) foram contratadas pelo Senado. Também por atos secretos.

… e reforça apoio a Ahmadinejad

Na contramão das democracias ocidentais e ao lado de China, Rússia, Venezuela e Coreia do Norte, Lula voltou a defender a controversa reeleição do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Irã aperta cerco e prende 200

O governo iraniano apertou o cerco a blogueiros, jornalistas e opositores, e ameaçou manifestantes com pena de morte. Pelo menos 200 ativistas foram presos. O acesso a celulares foi limitado e a velocidade de conexão da internet, reduzida. Sites foram bloqueados. Ainda assim, milhares de pessoas desafiaram as autoridades e voltaram às ruas, em manifestações silenciosas para protestar contra o resultado das eleições que deram vitória ao presidente Ahmadinejad. Sem vistos renovados, jornalistas estrangeiros abandonam o país, privando o mundo de uma cobertura independente.

País pode ter mais 7 mil vagas de vereador

Graças a um acordo de líderes, o Senado aprovou em dois turnos proposta de emenda constitucional que abre brecha para a recriação de 7.343 vagas de vereadores extintas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os repasses para as câmaras foram reduzidos. A proposta volta agora à Câmara.

Comissão da Câmara aprova legalização do bingo

Por ampla maioria e com apoio da base do governo, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou ontem a legalização do bingo no país, cinco anos após o presidente Lula editar medida provisória proibindo a atividade – e que foi derrubada pelo Senado. Dos 31 parlamentares que votaram, apenas cinco se manifestaram contra e 26 foram favoráveis. Pelo texto, a casa de bingo poderá explorar a modalidade de cartela e também as máquinas caça-níquel, mas só dentro do estabelecimento. As casas de bingo terão de funcionar a uma distância de, pelo menos, 500 metros de igrejas e escolas. As fachadas terão de ser discretas, sem luzes em exagero ou neon muito colorido. O projeto ainda será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

STF derruba diploma para jornalismo

Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal derrubou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Para a maioria dos ministros, o diploma obrigatório é inconstitucional.

Um ano de Lei Seca: desafio é fiscalizar

Dados do Ministério da Saúde mostram que, com um ano de Lei Seca, as mortes no trânsito caíram 22,5% nas capitais. Mas ainda há desafios, como aumentar a fiscalização em cidades menores.

Planalto apoia volta do bingo e caça-níqueis

Com apoio dos governistas, comissão da Câmara aprovou a legalização dos bingos, que poderiam também operar caça-níqueis. Estão proibidos há 5 anos por MP.

Correio Braziliense

Álcool causa 60% das mortes de motoristas

Pesquisa realizada pelo Instituto de Medicina Legal (IML-DF) indica que a maioria dos condutores que perderam a vida em acidentes de trânsito dirigiam seus carros sob o efeito de bebidas alcoólicas. A convite do Correio, quatro pessoas fizeram um este no Kartódromo do Guará, sob supervisão do Detran e do IML: beberam e tentaram levar seus carros pelo circuito de corridas, montado com obstáculos que simulavam situações encontradas nas ruas do Distrito Federal. Todas apresentaram alterações, cometeram erros e foram reprovadas pelos especialistas.

A turma do Sarney

Oito parentes ou pessoas ligadas ao presidente do Senado foram nomeados por meio de atos secretos. Parlamentares cobram afastamento de toda a direção da Casa.

Cai diploma de jornalista

Ministros do STF entendem ser desnecessário curso superior para profissionais da imprensa. Gilmar Mendes comparou jornalistas a chefes de cozinha.

STF abre vagas para estudantes da rede pública

São 60 oportunidades para alunos do último ano do ensino médio no Supremo Tribunal Federal, com remuneração de R$ 360.

Servidores têm reajuste ameaçado

Queda na arrecadação abre rombo de R$ 63 bilhões no caixa do governo federal, e ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admite cortes no Orçamento que podem afetar aumentos já aprovados.

Jornal do Brasil

Lei Seca poupou 796 vidas e R$ 6,9 bilhões

O balanço do primeiro ano de vigência da Lei Seca confirma sua eficácia: protegeu vidas e dinheiro público gasto com acidentes de trânsito, entre despesas hospitalares, remoções e reparações de veículos, seguro e gastos judiciais e previdenciários. Órgãos públicos e privados do país gastam, anualmente, cerca de R$ 30 bilhões com essas despesas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de internações de vítimas do trânsito em hospitais ligados ao SUS caiu 23%, o que significa uma economia de pelo menos R$ 6,9 bilhões. A atual legislação resultou também em menos mortes no trânsito. Foram 796 óbitos a menos no segundo semestre de 2007 em relação ao mesmo período de 2007. No Rio registrou-se uma redução de quase 25% das vítimas de acidentes. A Lei Seca impôs maiores restrições e punição aos motoristas flagrados alcoolizados, além de modificar hábitos de consumo do brasileiro.

Obama apresenta sua reforma financeira

O presidente dos EUA, Barack Obama, detalhou seu projeto de reforma do sistema financeiro – a maior desde os anos 30, pós-Grande Depressão que será enviado ao Congresso. Entre as propostas está a criação de um órgão no governo para avaliar os grandes riscos à economia e a segurança de produtos financeiros.

Record x Folha de S.Paulo: e a guerra continua…

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Parece não ter fim a guerra editorial travada entre o jornal Folha de S.Paulo e a TV Record. Desde meados de março, os veículos trocam farpas em suas publicações numa briga que atrai cada vez mais holofotes na mídia brasileira.

O capítulo mais recente da novela começou a ser escrito neste domingo. A Record veiculou reportagem especial com duração de 13 minutos na qual explora a considerada “atuação sombria” da Folha de S.Paulo durante o período ditatorial brasileiro. Como base para as críticas, a emissora repercutiu o termo “ditabranda”, empregado pelo impresso em um editorial, que após críticas de vários setores, foi posteriormente retificado.

Dois dias depois, a Folha respondeu à veiculação de “O Escândalo da Ditabranda”. Em texto publicado ontem, diz que a Igreja Universal, da qual pertence o bispo Edir Macedo, dono da Record, está usando a emissora para promover ataques ao jornal. Também comenta as acusações da Record de que o veículo estaria em “crise de credibilidade”, além de lembrar que desde o ano passado, a Igreja Universal do Reino de Deus busca “intimidar a Folha para que deixe de publicar reportagens a respeito de suas atividades empresariais.”

De acordo com a Folha, a Record alega que as acusações são respostas às notícias publicadas pelo colunista de TV do jornal, Daniel Castro. O jornal diz que Castro rejeitou convite do vice-presidente comercial da emissora, Walter Zagari, para assumir a gerência de comunicação da Record.

Para apimentar ainda mais a briga, a Record recorreu à tréplica. Veiculou um editorial na noite de ontem para combater o texto publicado pela Folha. Entre outros termos, o vídeo acusa o impresso de publicar “dezenas de mentiras da Record durante meses” e ignorar a “atuação sombria” durante a ditadura brasileira.

Daqui: Correa Neto

Mídia brasileira fica tímida quando o assunto é o universo gay

Pesquisador constata que telejornais e programas de televisão são acanhados na hora de abordar a realidade homossexual

A constatação é feita pelo jornalista, historiador e professor Irineu Ramos, que analisou em dissertação de mestrado em Comunicação, concluída no ano passado, as reportagens que os telejornais das TVs abertas fizeram da Parada Gay de 2007. “
“O jornalismo eletrônico cobre os eventos e os fatos gerados pelo acontecimento da Parada paulista de maneira superficial. Tanto que não relata questões subjetivas do mundo homossexual”, diz Ramos.
Para o pesquisador, os telejornais tornam-se “prisioneiros” de temas-chavão e, com isso, produzem um gay que pouco tem a ver com a realidade.

No dia 25 de maio de 2007, milhões de pessoas participaram da Parada do Orgulho Gay de São Paulo. O comércio, a rede hoteleira, as agências de viagens, as empresas de entretenimento e lazer trabalharam a todo vapor para atender os milhares de turistas de todo o País que fazem deste o segundo evento que mais traz dinheiro para a capital paulista, só perdendo para a Fórmula 1. Em 2007, segundo a SPTuris, foram 600 mil turistas. “Apesar desses números superlativos, a mídia impressa e eletrônica é tímida e acanhada na hora de dar espaço para a temática gay”, diz Ramos.

Para explicar melhor a questão da identificação dos temas-chavão, o jornalista efetuou a clipagem (captura de imagens) de todas as reportagens das TVs abertas envolvendo a Parada de 2007, no período compreendido entre cinco dias antes da festa (a preparação) e dois dias após (o rescaldo). Nesse espaço de tempo a Parada foi notícia 48 vezes. “Os telejornais praticamente ignoraram os aspectos relacionados à sub-cultura gay (o que daria subsídios e condições para uma discussão junto com a sociedade) e prenderam-se apenas em questões concretas, como o faturamento do comércio, a lotação dos hotéis e as ocorrências policiais envolvendo punks, roubos de celulares e assassinato de um turista francês, por exemplo”, diz.

“Ignorar toda a realidade humana de um segmento da sociedade – reduzindo este universo social a uma fonte de renda para o comércio – é estabelecer fronteiras que delimitam categorias sociais e culturais. Deixar de lado a diversidade que compõe o mundo homossexual é estabelecer regras de conduta e produzir mais desigualdade, explica Ramos.
Na sua análise, uma das questões principais da reprodução da desigualdade está no fato de os telejornais não separarem sexo de gênero. “Isso é uma forma hegemônica de ver o mundo. A TV não consegue mostrar gêneros sociais sem estabelecer vínculo com o comportamento sexual”, comenta. A não distinção entre o sexo e o gênero faz com que o telespectador não consiga entender a diferença entre um e outro. “Com isso, acaba reproduzindo conceitos preconceituosos e que nada contribuem para um mundo melhor”.

Países como os Estados Unidos dispõem de entidades organizadas para reduzir o preconceito sexual na mídia. Em Los Angeles, por exemplo, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD), instituição especializada na atuação junto aos meios de comunicação contra a difamação sexual é chamada por diretores de cinema e de programas de televisão para identificar se determinado projeto de filme ou entretenimento tem cunho preconceituoso. A GLAAD opinou inclusive no roteiro do filme O Segredo de Brokeback Montain, ganhador de Oscar do cinema anos atrás.

Segundo Ramos, o telejornalismo brasileiro precisa ousar mais e se libertar dos conceitos normatizantes. “Afinal, a TV dita a conduta e produz identidades”.

Mais informações:
Irineu Ramos – (11) 9880.3541 – irineu.ramos@superig.com.br
E-mail : irineu.ramos@superig.com.br

Dados da Notícia
Empresa: FATOS & NOTÍCIAS
Fone: (11) 9880-3541
E-mail: fatosenoticias@terra.com.br
Ramal:
Fax: () –
Contato: Irineu Ramos

Record se posicionará publicamente contra ataques
Por Redação vcfaz.net

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A Rede Record de Televisão enviou comunicado a todos os veículos de comunicação informando que, a partir de agora, se posicionará publicamente e judicionalmente contra os ataques que recebeu nos últimos tempos e que, por ventura, venha receber no futuro. Em anexo ao comunicado, consta vídeo resposta à algumas notícias publicadas pela Folha de São Paulo (confira ao lado).

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Jornalistas e gráficos do Ceará entram em greve por 72 horas

Redação Portal IMPRENSA

Os profissionais vinculados ao Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e ao Sindicato dos Gráficos decidiram, na última quarta-feira (18), instituir greve por melhorias salariais no estado. A medida foi repassada, por meio de documento oficial, às diretorias dos veículos O Povo, Diário do Nordeste, O Estado e revista Fale!. De acordo com o Sindjorce, o objetivo da greve é alcançar reajuste de 1,02% nos rendimentos dos profissionais de imprensa, 0,7% a mais em relação ao aprovado pelas empresas do Ceará.

A previsão inicial é de que ação tenha duração de 72 horas, até um parecer oficial das diretorias dos veículos cearenses, sobre o aumento salarial. Caso o reajuste não seja aprovado pelas empresas do estado, a medida se estenderá por prazo indeterminado.