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Jornal da Band expõe desnecessariamente a imagem de uma criança

Terça-feira, no “Jornal da Band”, foi ao ar uma matéria mostrando a preferência de algumas mulheres, que a partir de bancos de esperma preferem ter os seus filhos sem a obrigação de manter relacionamento com o sexo oposto. Até aí…

Acontece que num determinado momento foi mostrada uma mãe, com a criança de 3 a 4 anos no colo, entre outras coisas dizendo que como não tinha conseguido um homem, escolheu no banco de sêmen a filha que queria: ruiva, olhos negros e de pai estrangeiro – “na minha vida não apareceu um príncipe, apareceu um sapo. E já disse que ela não tem pai. Eu sou o pai e a mãe!”.
Qual a necessidade de expor uma criança, visivelmente constrangida, desse jeito?

Será que a mãe e a própria Bandeirantes têm o direito de escancarar assim a vida de uma pessoa? Será que alguém pensou nas consequências? Quem deve ter as respostas para tais e tantas outras questões é o Conselho Tutelar ou qualquer autoridade em zelar pelos direitos da infância e da juventude.
Mas que não foi legal, com toda certeza, não foi.

Os dois lados

O ator e roteirista Marcius Melhem, levado por uma promoção da Tickets For Fun, “Compre 2 por 1”, estava interessado em assistir ao show do “Guns and Roses” em Brasília (dia 7 de março). Palavras dele: “Você compra dois ingressos, recebe a confirmação de compra e só recebe um em casa. Aí eles dizem que foi um engano do site e se recusam a honrar com o ingresso extra. E o pior! A promoção continua no site. É, evidentemente, uma pegadinha!”. Procurada ontem pela coluna, a assessoria da Time For Fun disse que só poderá se manifestar sobre a questão em dois dias. Então tá. Vamos esperar.

Triste realidade

Vai de mal a pior a nossa TV pública. Tanto na TV Brasil, como na TV Cultura, 2 pontos, quando dá, é pico de audiência.

E aí se cai na velha história da propaganda do biscoito: é ruim porque ninguém vê? Ou porque ninguém vê é tão ruim?
Brinquedo caro.

Bate – Rebate
· A Record News era para ser um canal de notícias, 24 horas no ar. Era.
· Todas as noites, na faixa da zero hora, agora é transmitido um programa chamado “Retratos de Família”. Apresentado por um pastor da Universal.
· A série “Os Normais”, produzida pela Globo, com Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres, foi adquirida pelo canal Ecuavisa, do Equador.
· Vai ao ar hoje, no “Superpop” da Rede TV!, a entrevista da Luciana Gimenez com a ministra Dilma Rousseff.
· A TV Itapoan, emissora própria da Record, vai mobilizar mais de 100 profissionais e um total de 25 câmeras para a cobertura do carnaval de Salvador.
· O canal internacional da Record, que atinge 150 países, também transmitirá o evento.
· “Entre dois Amores” é o título da próxima novela das 6, de Elizabeth Jhin, na Globo.
· Mas também foi o nome de um filme com Meryl Streep e Robert Redford, produzido em 1985.
· Está forte o papo: por causa da baixa audiência, “Tempos Modernos” pode ter a sua duração abreviada na Globo.
· Sorte é que “Ti Ti Ti”, próxima atração do horário, com adaptação de Maria Adelaide Amaral, já tem vários capítulos escritos.
· A cidade de São Paulo, em função da Fórmula Indy, deve receber público estimado em 31 mil pessoas, sendo que deste total, seis mil estrangeiros.
· O prefeito Gilberto Kassab, otimista, disse que a Indy, cujo contrato inicial é de cinco anos, ficará “o resto da vida” no Brasil. Que voltou para ficar. A prova acontece no dia 14 de março.

Todas as Copas
A Globo News estreia neste sábado, 9 da noite, a série “80 anos de Copa”. Serão 8 programas, contando a história de todos os mundiais realizados e entrevistas com Pelé, Jairzinho, João Havelange e Carlos Alberto, entre outros. Apresentação de Tiago Leifert e participação de Daniel Filho, lendo textos de Luis Fernando Veríssimo, Ferreira Gullar, Eduardo Galeano, Nelson Motta e Maitê Proença.

Tiroteio
A rádio Jovem Pan continua disparando na Globo porque proibiram os repórteres de entrar em campo. Virou briga de duas empresas. Mas é preciso separar as coisas porque já existem casos de balas perdidas. O que tem o pessoal das novelas a ver com isso? Os últimos tiros só devem arregalar os olhos dos classificadores de Brasília para cima deles. E lá vem pepino. Pra Globo? Claro que não, mas para os autores, atores e diretores que nunca impediram ninguém de entrar em campo.

Lançamento
Thelma Guedes, que divide “Cama de Gato”, na Globo, com Duca Rachid, lança dia 8, na livraria Argumento, no Rio, o livro “O Outro Escritor”.
Ela diz que, neste trabalho, brincando, faz uma despedida dos autores que influenciaram na sua carreira.

Cruzeiro
O sambista Dicró fechou novas edições do quadro “Verão Bacana” para o “Fantástico”, da Globo.
Depois da praia do Jurerê, em Florianópolis, e da São Paulo Fashion Week, agora pretende mostrar o luxo de um cruzeiro marítimo, em viagem de Salvador a Santos.

C´est fini
Terá 4 minutos de duração a “batalha cinematográfica” do primeiro capítulo da minissérie “A História de Ester”. A cena, com recurso de computação gráfica e que possibilitou a multiplicação de figurantes, consumiu horas e horas de trabalho. Estreia em março na Record.

http://www.jornaldeuberaba.com.br/?MENU=CadernoB&SUBMENU=Variedades&CODIGO=7018

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Nepotismo para todos

Publicado: 27 de janeiro de 2009 em Canal 1, Crítica, Televisão
Flavio Ricco
Canal 1

Repetindo pares
27/01/2009

Na história das novelas da Globo, os seus autores trabalharem sempre com os mesmos diretores é uma prática que vem de muito tempo. Nunca foi diferente, assim como a repetição de artistas na montagem de seus elencos. São núcleos formados, quase indestrutíveis, próximo do “quem tá fora não entra, quem tá dentro não sai”.

Quando o nome de certo autor é anunciado, já se pode imaginar quem serão o diretor e artistas escolhidos. A chance de erro é quase zero.

Agora, o que se observa, é a formação dos mesmos pares ou duplas, que deram certo em outras novelas.

Em “Caminho das Índias”, por exemplo.

Lá estão Alexandre Borges e Letícia Sabatella que atuaram juntos em “Desejo Proibido”. O mesmo se aplica a Marjorie Estiano e Caco Ciocler, ainda na lembrança de todos, em “Duas Caras”. Além de inúmeros outros.

O cenário é sempre o mesmo. Só mudam a novela e os nomes dos personagens. Resta saber se isto acontece de propósito ou é mais uma obra do acaso.

TV Tudo

E vai rolar a festa (1)
Para o pessoal que estuda interpretação ou passa horas nas oficinas da Globo, é bom se preparar. São enormes as possibilidades de uma decepção ou revolta tão logo se divulguem oficialmente os nomes que irão aparecer na sua próxima novela das seis, “Paraíso”. Os créditos prometem.

E vai rolar a festa (2)
Além das diferentes gerações da família Barbosa no elenco de “Paraíso”, a trilha sonora não será exceção. E não podemos esquecer dos amigos chegados! Agora, se toda essa farra acontece, é porque alguém do alto comando permite.

Não pode
Aliás, um autor da Globo que pede para não ter o nome divulgado, revela que esse problema do nepotismo é antigo na emissora. Certa vez, um diretor-geral tentou colocar em uma novela quase a família inteira. Pelas contas, só ficariam de fora o cachorro e o papagaio.

Não é só
Mas a Globo não é a única a se render ao nepotismo. Basta dar uma espiada nos créditos de produções exibidas por Record e SBT. Entram mãe, mulher, filha, sobrinha, tia… Uma história sem fim.

De propósito
Só numa coisinha a Globo não é fiel em “Caminho das Índias”: o barulho das buzinas. Quem já esteve lá, sabe. É um verdadeiro festival.

Negócios
O Boticário, maior rede de franquias de cosmética e perfumaria do mundo, fechou patrocínio do “Fantástico”. Serão R$ 54 milhões pelos próximos 12 meses.

Corpo estranho
A Globo tem por hábito, no encerramento de um jornal, anunciar o próximo. Outras emissoras fazem o mesmo. A Bandeirantes não. O jornal do Boris, por exemplo, parece que não existe.

Futebol
A Net está com uma promoção. Quem compra o próximo campeonato brasileiro, e paga 12 prestações de R$ 55, leva um regional de presente.

Se gritar pega…
Bem a propósito, quem viu alguma coisa do campeonato carioca no final de semana, em sua primeira rodada, constatou que o tempo passa e as coisas não mudam. Continuam os assaltos à luz do dia.

Betty (1)
Em sinopse apresentada à direção da Televisa, Gisele Joras, entre outras novidades, tentou dar um nome diferente para a protagonista de “Betty a feia”. Se os mexicanos gostaram ou não, só o tempo dirá. Mas a informação é que o trabalho não agradou inteiramente, e a autora já trabalha em modificações.

Betty (2)
O diretor da teledramaturgia da Record, Hiran Silveira, informa que os nomes apresentados na sinopse são apenas sugestões. Serão validados ou não. Na Colômbia, na versão original, a protagonista chamava Betty, e no México, Letícia, cujo apelido era Leti. Aqui, segundo ele, será encontrado um nome mais adequado à nossa realidade.

Bate – Rebate
· O “Fantástico”, em boa hora, mostrou o condomínio de luxo onde mora o casal da Renascer.
· É de lá que eles transmitem o programa para os fieis do Brasil. E de outros lugares.

· Uma coisa é certa: pelo que foi mostrado no programa, lá não existe risco do teto despencar.

· Deve ser, inclusive, a prova de todos os ciclones.

· A Record está no ar com chamadas da Liga dos Campeões da Uefa. Os jogos voltam em fevereiro.

· Hélio Vargas – programação – e Goyo Garcia – gerente de aquisições são os homens da Bandeirantes na Napte, em Las Vegas.

· Meu Deus! Coloquei no blog um post sobre a venda da TV do Ratinho em Paranaguá ao RR Soares.

· Virou uma guerra religiosa.

· Durante 36 minutos, no último sábado, Raul Gil colocou a Bandeirantes em segundo lugar com direito a pico de 8.

· Mas não segurou. Na média, 4 pontos e a quarta posição.

· Virou loucura a passagem do Cauã Reymond no “Pré Caju”, neste final de semana, em Aracaju.

· O ator Mario Frias, do elenco da Record, encarou um regime sério. Perdeu 12 quilos.

· Luiz Antonio Rocha, diretor de elenco da Record, pediu demissão na semana passada, insatisfeito com a nova ordem das coisas.

C´est fini
O presidente do Flamengo, Márcio Braga, adiantou, domingo, no programa Esporte Record News, que a Prefeitura de Niterói será a nova patrocinadora da Ginástica Artística do clube. O convênio só foi oficialmente anunciado ontem.
TS vai dormir.

Novela ‘Caminho das Índias’ peca por artificialismo

Daniel Schenker *, Jornal do Brasil

RIO – – Eu vivi todas as cores da vida – disse Shankar, interpretado por Lima Duarte, no primeiro capítulo da nova novela das 21h da TV Globo, Caminho das Índias, que estreou segunda-feira com média de 37 pontos no Ibope.

O personagem se refere a um importante momento de transição depois de todas as experiências que acumulou ao longo do tempo. Como a trajetória de Shankar, o início do trama assinada por Glória Perez foi marcado por amplo e contrastante desfile cromático.

Emília Duncan valorizou nos figurinos: cores fortes, intensas e vibrantes para estampar os trajes dos personagens indianos e tons neutros para os brasileiros.

A autora, porém, não procurou “apenas” realçar discrepâncias. Ao contrário, frisou que, guardadas as evidentes diferenças de tradições, a estrutura de funcionamento das relações não difere tanto entre Brasil e Índia. Nos dois países, os pais insistem em tomar decisões pelos filhos.

Se lá Opash (Tony Ramos) anuncia que vai procurar uma esposa para o filho, Raj (Rodrigo Lombardi), aqui Ramiro (Humberto Martins) determina que o filho, Tarso (Bruno Gagliasso), tocará a empresa da família.

A assimilação de modernidades – dado frisado nas cenas em que a protagonista, a indiana Maya (Juliana Paes), apareceu usando celular e trabalhando com computador – não alterou significativamente a ordem das coisas.

Desempenhos seguros

Glória Perez voltou a inserir elementos do documental na ficção, procedimento utilizado em outras de suas novelas (Barriga de aluguel, O clone e América).

Não por acaso, abriu o capítulo com Opash e Shankar falando sobre o sistema de castas na Índia a partir de perspectivas opostas. Tony Ramos e Lima Duarte apresentaram desempenhos seguros, empregando gestuais para tornar mais concretas as falas.

Os atores escaparam de um registro didático, evitando que o texto soasse excessivamente explicativo. Vale destacar a autoridade de Laura Cardoso (Laksmi), matriarca que não perde a oportunidade de desqualificar a nora, Indira (Eliane Giardini).

O par central – formado por Maya (Juliana Paes) e Bahuan (Márcio Garcia) – destinado a sofrer com a intransigência dos mais velhos, ficou devendo no quesito credibilidade.

Os cuidados na reconstituição dos ambientes resultaram em excessos, particularmente na repetição da batida combinação velas/incensos na passagem em que Maya apareceu sendo massageada.

E o núcleo da Lapa foi inserido de maneira um pouco artificial neste capítulo de apresentação, que dispensou, em certa medida, a verossimilhança.

* Especial para o Jornal do Brasil