Globo Rural – RS está na reta final da colheita de grãos

Publicado: 29 de março de 2009 em Globo, Globo Rural
Uma safra agrícola sempre poderia ser melhor. A safra que está nas estradas em busca de portos e armazéns não foge à regra.

Em cada fazenda, o agricultor lembra: “Se a chuva tivesse sido regular, se os fertilizantes, os fungicidas, os inseticidas não estivessem tão caros, se os preços estivessem mais compensadores”, e assim por diante. Tudo poderia ser melhor, e a torcida é para que no próximo ciclo esses fatores se tornem favoráveis. Mas, na hora em que as máquinas entram na lavoura para a colheita, não dá para esconder a satisfação. É o caso do Rio Grande do Sul. Apesar dos pesares, a colheita do Estado não vai envergonhar ninguém.

O Globo Rural deste domingo é dedicado a Carreirinho

O Globo Rural deste domingo é dedicado a Carreirinho, que morreu na sexta-feira, em São Paulo. O nome dele era Adalto Ezequiel, nascido na cidade paulista de Bofete, em 1921. Carreirinho, um dos últimos patriarcas da era de ouro da música caipira do Centro-Sul, era considerado o codificador do gênero.

Carreirinho compôs “Boi Soberano”, “Morte do Carreiro” e o clássico “Ferreirinha”, que podemos rever na reportagem de José Hamilton Ribeiro exibida em 2003. José Hamilton, que é autor de livro sobre música caipira, acha que Carreirinho foi o mais genial de todos. Em suas letras, diz ele, não dá para pôr nem tirar uma palavra sequer.

Para fazer essa homenagem a Carreirinho, nós deixamos de apresentar a reportagem sobre o artesanato com a fibra da bananeira, que nós anunciamos na sexta-feira.

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Produtores de cana aumentam a produção, mas freiam investimentos

O negócio da cana-de-açúcar continua crescendo no Brasil, só que não no ritmo anunciado dois anos atrás. O repórter César Dassie encontrou, em Mato Grosso do Sul, uma realidade que reflete o atual momento do setor: aumento na produção e freada nos investimentos.

Seu Valdeli dos Santos Rosa é um dos agricultores do município de Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, que abriram a porteira para a lavoura da cana-de-açúcar. Dos 5 mil hectares da propriedade, 1.400 viraram canavial. “Eu assinei o contrato de arrendamento no final de 2006, para plantio em 2007. Paguei R$ 400 por hectare. Hoje, caiu 25% o preço, está em torno de R$ 300 o hectare”, compara.

Foi com arrendamentos como o do seu Valdeli e com a decisão de agricultores que bancaram o plantio da cana em suas propriedades que a lavoura ganhou grandes dimensões em Mato Grosso do Sul. Do ano 200 para cá, o Estado saiu do sétimo para o quarto lugar, atrás de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Nesse período, enquanto o Brasil dobrou a produção, Mato Grosso do Sul aumentou quatro vezes a quantidade de cana, chegando aos atuais 34.350.000 toneladas.

No município de Chapadão do Sul, uma única fazenda mandou para o abate 47 mil cabeças de gado para que a pastagem virasse canavial. O gerente de pecuária Felipe Rocha viu o rebanho diminuir 70% em apenas dois anos, depois que a empresa resolveu construir uma usina. “Infelizmente vale mais um hectare de cana do que de gado. Um hectare de pecuária vai render na base de R$ 150, R$ 200, por hectare líquido. A cana vai render umas três vezes mais que isso, de R$ 450 a R$ 500 por hectare”, conta.

O vaqueiro Olisses de Carvalho diz que seu trabalho praticamente não mudou, mesmo com a redução no número de animais. “Reduziram os companheiros, então o trabalho continua quase no mesmo ‘batidão’. Porque, quando tem bastante gado, tem bastante peão. Tem menos gado, tem menos peão. Não trocaria uma égua por um trator, porque o trator eu nem sei nem tirar do lugar, e com a égua eu ganho meu pão”, diz.

Nas áreas de plantio, não é difícil encontrar os companheiros do seu Olisses que trocaram o gado pela cana. Há o Cléber Rodrigues, que deixou de ser vaqueiro. “Trator você trabalha mais tranquilo, gado é mais complicado”, afirma. Há também o José Fábio da Silva, que passava o dia fazendo cerca. “Nunca tinha dirigido um trator como esse. Tem mais botão do que eu imaginava”, revela. E há ainda o Robson Borges, que está feliz da vida com o rumo da sua profissão. “Consegui uma promoção, de assistente técnico na pecuária para supervisor de plantio”, entusiasma-se.

O agrônomo Osvaldo Franco é o gerente agrícola de toda a fazenda e revela qual a sua maior preocupação em formar um canavial de 24 mil hectares para abastecer a usina. “Quando se trabalha com uma cultura anual, soja, você com quatro meses hoje colhe soja, entre o plantio e a colheita. Aí você faz safrinha; no outro ano, se você não gostou daquela variedade, você planta outra. Milho a mesma coisa. Cana, não, cana é uma cultura semiperene, que você não pode errar na variedade, no plantio. Isso tem que ficar perfeito, porque você vai ter que conviver com ela cinco, seis anos, ou até mais, dependendo do rendimento da área”, explica o agrônomo.

Apesar do crescimento no plantio e na produção, muitas usinas vivem um momento delicado. Dois anos atrás, com a alta do petróleo e a possibilidade do etanol se transformar em uma commodity internacional, havia a expectativa de que o município de Chapadão do Sul teria quatro usinas a partir de 2009. Este ano chegou e apenas uma indústria está saindo do papel.

É que, quanto mais baixo o preço do petróleo, menos vantajoso para o etanol. Em 2007, o barril valia cerca de US$ 70. No ano passado, chegou perto dos US$ 150. E agora beira os US$ 50. No mercado externo, os Estados Unidos, o Japão e a Europa ainda não reduziram as tarifas de importação do etanol brasileiro, nem sinalizam com a possibilidade de fortalecer esse mercado no curto prazo.

Para o superintendente da Única Usina de Chapadão do Sul, que promete cumprir os prazos para 2009, o que parece um milagre tem explicação. “Quem não teve ou quem não tinha a própria terra, esse pessoal abortou o projeto. Quem tinha terra, é o nosso caso, nós demos continuidade. Quando essas outras usinas começarem a moer, nós já vamos estar com um ano com a nossa equipe solidificada, treinada, qualificada. E isso aí facilita dentro de qualquer empreendimento.Ela deve ser inaugurada no dia 15 de junho. Daquela chaminé, tem que sair a fumacinha branca”, ressalta o diretor-superintendente da Única, Antônio de Pádua.

As usinas do Centro-Sul do Brasil respondem por 90% da produção nacional de etanol e 86% da fabricação de açúcar. Antonio de Pádua Rodrigues é diretor da Única, a maior entidade do setor. Em 2007, havia uma previsão de que 86 novas usinas seriam implantadas no Brasil até 2009. “Bom, dessas 86, 20 provavelmente entrarão em safra agora em 2009. Quinze entrarão em safra em 2010. As outras 51, acho que só a Deus pertencem. Não dá para investir em um mercado que não seja firme. Então, enquanto o etanol não se transformar em uma commodity mundial, enquanto você não reduzir algumas barreiras técnicas ou tarifárias, a expansão vai continuar acontecendo em um ritmo menor”, evidencia o diretor da Única.

Para Antônio de Pádua, a situação se complicou depois que os preços do açúcar e do etanol não foram suficientes para remunerar o setor, nos últimos dois anos. Somado a isso, houve a crise mundial que começou em setembro do ano passado. “O setor está sem dinheiro. Hoje, são raras as empresas que têm limite de crédito para tomar algum recurso novo nos bancos. Toda essa questão dos últimos dois anos e a necessidade de o setor e as empresas continuarem mantendo seu canavial, continuarem investindo com financiamento de curto prazo, levaram a um esgotamento no limite de crédito”, explica.

Mesmo com o desaquecimento do setor, algumas empresas continuam fazendo projeções grandiosas. Em uma área onde hoje tem brachiária, deve funcionar a partir do ano que vem uma das dez usinas de um grupo que promete produzir quatro bilhões de litros de etanol por safra, até 2015. Para o vice-presidente de operações da Brenco, José Taragano, a crise mexeu com a empresa, mas não a ponto de desestruturá-la. “Como qualquer outra empresa, nós também estamos no mundo e fomos impactados de uma forma ou de outra. Mas as mudanças que a gente fez foram muito sutis, muito pequenas. Alguns cronogramas foram ligeiramente empurrados para frente, mas nós achamos que o cenário do etanol continua promissor, sim”, destaca.

Só que, para fazer uma usina funcionar, o plantio da cana deve ocorrer dois, três anos antes, por conta da multiplicação das mudas e o tempo para o próprio crescimento da lavoura. E, por conta das turbulências do mercado, cerca de 8% da cana disponível para ser esmagada na última safra deixou de ser colhida. “Isso aconteceu em 2008 e provavelmente deverá acontecer em 2009. Em 2009, ainda mais ainda forte, porque muitas empresas, por falta de recursos, não fizeram a manutenção da indústria. Essas empresas que não fizeram uma adequada manutenção industrial, por quanto tempo elas vão conseguir operar? Quanto tempo elas vão parar por quebra, por falta de manutenção? E cada dia perdido é um dia de cana não moída. Isso já é um potencial prejuízo para a atividade”, avalia o diretor da Única, Antônio de Pádua.

É bom lembrar que, apesar do desaquecimento do setor, a produção de cana no Brasil continua crescendo. A safra passada, por exemplo, foi quase 19% maior que a do ano anterior. Para este ano, o IBGE prevê um aumento de pouco mais de 1% em relação a 2008.
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Criadores de frango de SP têm menos aves nos galpões

Criadores de frango de São Paulo estão colocando uma quantidade menor de aves em seus galpões. Eles querem diminuir a oferta de carne para aumentar o preço.

Uma granja em Iperó, no sudeste paulista, já alojou mais frangos. O dono, Ricardo Pacheco, conta que já é o segundo lote em que a integradora mandou menos pintinhos. Ele recebe atualmente R$ 0,30, em média, por ave que engorda e calcula o que daria para pagar com o dinheiro que vai deixar de receber. “Representa, praticamente, em torno de R$ 7.500. Só dos pintinhos que foram reduzidos, pago toda a mão-de-obra mensal, energia, reparo dos galpões”, enumera.

A redução de aves para o alojamento é apenas uma das medidas adotadas pela integradora. O vazio sanitário, período em que os galpões ficam vazios até receberem um novo lote de pintinhos, também aumentou de 14 para 34 dias, em média. Na ponta do lápis, esse prazo maior que as integradoras adotaram para entregar os pintinhos para engorda vai significar o seguinte para o dono da granja: em épocas normais, ele entrega para o abate seis lotes de frangos por ano. Com a redução, vai entregar apenas cinco, o equivalente a quatro galpões com capacidade para 25 mil aves.

A integradora também esticou o prazo de pagamento, de 28 para 90 dias. “O que você compra, você manda fazer qualquer benfeitoria no galpão, ou o material que você utiliza, a lenha, o gás, a energia, é 30 dias. Se eu recebo com 90 dias, como vou saldar esses compromissos?”, pergunta o criador Ricardo Pacheco.

O gerente da integradora que fornece os pintinhos e a ração ao seu Ricardo explica que a empresa reduziu o fornecimento de aves por recomendação da União Brasileira de Avicultura. Mas ele reclama que nem todo mundo seguiu a recomendação em outros Estados e, por isso, há uma oferta de carne maior do que a demanda.

Além disso, este ano houve queda de 4,4% na quantidade exportada no primeiro bimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. Na disputa para desovar os estoques, há frango muito barato no mercado. “As empresas do Sul, principalmente do Paraná, vêm e desovam no Estado de São Paulo a qualquer preço. Realidade de hoje, anúncios de supermercado em foi abatido a R$ 1,80. Isso é preço de frango vivo”, reclama o gerente da integradora, Gilberto Silva.

Os números confirmam: houve queda de 9,2% nos alojamentos em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Por isso, a produção de carne deverá fechar com queda de 10% em março deste ano, em comparação com março do ano passado.

De acordo com a União Brasileira de Avicultura, a diminuição do alojamento de frangos foi desigual no período de outubro do ano passado a janeiro deste ano. O Paraná, maior produtor do país, reduziu em 12%. Em São Paulo, a redução foi de quase 22%.
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Os principais assuntos da semana

Agora os outros assuntos da semana. O Supremo Tribunal Federal decidiu que os não-índios têm até 30 de abril para deixar a reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. O arroz plantado será colhido pelo governo, e os produtores serão indenizados pelo número de sacas.

Aumentou o número de municípios na lista dos maiores desmatadores da Amazônia. Agora são 43, sete a mais que no mês passado. Além dos Estados do Pará e Mato Grosso, entraram para a lista Roraima e Maranhão.

Integrantes de movimentos sem-terra do Brasil e do Paraguai fecharam a Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Foi um ato de apoio contra a presença de agricultores brasileiros em terras paraguaias.

Na Argentina, produtores rurais voltaram a protestar contra os impostos cobrados nas exportações agrícolas.

O Exército suspendeu o fornecimento de água potável para 33 municípios de Alagoas. A verba para os caminhões-pipa não foi repassada pelo governo federal.

Confirmado um foco de peste suína clássica no município de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A doença é causada por um vírus e provoca a morte de suínos. Uma fazenda foi interditada e os animais, sacrificados.
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RS está na reta final da colheita de grãos
O Rio Grande do Sul está na reta final da colheita de grãos. Houve problemas com o milho, mas a produção de soja e de arroz está sendo comemorada. Veja a situação nas principais regiões produtoras do Estado.

Seu Airton Becker acompanha o encerramento da colheita de milho na propriedade em Cruz Alta, noroeste do Rio Grande do Sul. Nesta safra, ele reduziu a área de cultivo do grão quase pela metade: foram 210 hectares. “Devido ao grande aumento no custo de produção principalmente por causa dos fertilizantes. Com esse aumento de custo, nós resolvemos diminuir a área”, revela.

Com o fim da colheita, o agricultor também amarga prejuízos causados pela estiagem. Das 100 sacas que esperava colher, o resultado final não passou de 70 sacas por hectare. O levantamento da Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, sobre a produção agrícola do Rio Grande do Sul, confirma o que o agricultor observou na propriedade. A estimativa é que a falta de chuva tenha provocado uma redução de 17% na produção de milho. A safra deve ficar em 4.400.000 toneladas do grão.

Já nas lavouras de soja, o movimento das máquinas aos poucos vai confirmando a expectativa de uma boa safra. O grão, plantado mais tarde, escapou da estiagem e deve render 7.800.000 toneladas, 1% mais do que o produzido em 2008. O agricultor Eduardo Schwerz acompanha de perto o rendimento da lavoura: 40 sacas por hectare. “Foi feita uma adubação razoavelmente boa, fungicida, inseticida. Faltou um pouquinho de água mesmo, de chuva”, avalia.

A variedade que está sendo colhida é de ciclo precoce e chegou a ser prejudicada pela estiagem em dezembro do ano passado. Por isso, a expectativa dos agricultores é de uma produtividade ainda maior em lavouras de soja de ciclo tardio, onde as chuvas foram regulares até o momento. A colheita nessas áreas deve começar em abril. “O que tinha que fazer está feito, a nossa parte está feita. Agora, se chover, a gente tem uma produtividade maior”, diz o técnico agrícola Sérgio Fahl.

Quem também está torcendo para o tempo ajudar são os produtores de arroz. Em Uruguaiana, o maior produtor do cereal no Estado, cerca de 55% da área está colhida. A produtividade média deve ficar em torno de 7.500 quilos por hectare. A safra se desenvolveu bem, e o resultado final aponta para uma colheita superior à obtida no ano passado: 7.700.000 toneladas de arroz, segundo a Conab. A produção é 5% maior do que a de 2008.

O produtor Ariovaldo Ceratti diz que investiu no arroz e que está satisfeito. Cerca de 40% da lavoura dele foi colhida. “Nós fizemos a semeadura cedo este ano, a questão de colocar os fertilizantes no seco é importante na lavoura de arroz, o manejo correto da irrigação e da parte do controle de ervas daninhas. Isso garante a boa produtividade que a gente vem obtendo nessa safra”, enfatiza.

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