No Carandiru, madrasta de Isabella pode ir para ‘seguro’

Publicado: 8 de maio de 2008 em Policia

No Carandiru, madrasta de Isabella pode ir para ‘seguro’



A madrasta da menina Isabella Nardorni, Anna Carolina Jatobá, poderá ser colocada em uma ala conhecida como “seguro” na Penitenciária Feminina do Carandiru, na zona norte de São Paulo, para onde foi transferida na manhã de hoje após passar a noite no 97º Distrito Policial (DP). A possibilidade de Anna Carolina ser levada para uma cela isolada deve-se ao fato de que as presas do Carandiru teriam dito que não aceitam sua presença na penitenciária, o que poderia colocá-la em risco.

Até o final da manhã, a Secretaria de Assuntos Penitenciários ainda não havia se pronunciado sobre os procedimentos relativos à prisão de Anna Carolina a partir de sua transferência para o Carandiru. O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, continuava preso no 13º DP, também na zona norte de São Paulo. A prisão preventiva do casal foi decretada no início da noite de ontem, pelo juiz da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, Maurício Fossen, que também aceitou denúncia de homicídio contra Alexandre e Anna Carolina.

Promotor acredita que habeas-corpus seja negado

O promotor Francisco Cembranelli disse nesta quinta-feira, que está confiante de que o pedido de habeas-corpus, que deve ser feito pela defesa de Anna Jatobá e Alexandre Nardoni, não deve ser aceito pela Justiça porque a prisão está bem fundamentada.

Segundo o promotor, a permanência do pai e da madrasta de Isabella na cadeia, garantirá maior rapidez no julgalmento do caso, uma vez que a Justiça prioriza o julgamento de réus detidos. Se isso não ocorrer, ou seja, se eles ficarem em liberdade, o julgamento pode demorar até quatro anos para acontecer.

Na manhã desta quinta-feira, Anna Carolina Jatobá deu entrada na Penitenciária Feminina Sant’Ana, no bairro do Carandiru, na zona Norte de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária, ela foi isolada e passa por um processo de observação, prática comum em toda inclusão de presa e que dura cerca de dez dias.

Alexandre Nardoni, está preso em uma carceragem também na zona Norte da cidade, onde há celas para homens com curso superior completo. Ele passou a noite sozinho na cela, que tem cerca de dois metros quadrados e um colchão.

O casal é apontado como o principal suspeito de ter matado a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, filha de Alexandre. O crime aconteceu na noite do dia 29 de março, quando Anna Jatobá supostamente teria agredido a menina, e, em seguida, Alexandre a teria jogado pela janela do sexto andar do prédio onde o casal mora com os dois filhos, de 1 e 3 anos.

(FP)

Caso Isabella: presas recebem madrasta com protesto

As detentas da Penitenciária Feminina de Sant’Ana, no Carandiru, para onde Anna Carolina Jatobá foi levada na manhã desta quinta-feira, escreveram no pátio uma mensagem para Isabella Nardoni, 5 anos, morta no último dia 29: ‘Homenagem Isabella, presente do dia das mães’. Elas também gritaram: “Assassina, maldita”.

Anna Carolina não tem curso superior e, por isso, recebe tratamento de presa comum. A expectativa é que ela fique pelo menos 10 dias numa cela isolada das demais presas. A secretaria de Administração Penitenciária (SAP) SAP não informou qual será o procedimento depois do isolamento. Se ficar comprovado que ela corre algum tipo de risco, Anna Carolina poderá continuar em cela individual.

Enquanto estiver isolada, a madrasta de Isabella não tem direito a banho de sol nem terá contato com outras detentas. Ela poderá receber objetos de uso e higiene pessoal dos parentes ou advogados. O marido dela, Alexandre Nardoni, concluiu a faculdade de Direito e tem tratamento especial, destinado a presos com curso superior. O casal teve prisão preventiva decretada e a Justiça aceitou a denúncia por homicídio triplamente qualificado pela morte de Isabella , atirada do sexto andar do apartamento do pai.

A Penitenciária Feminina de Sant’Ana tem três pavilhões, divididos em alas ímpares e pares, e capacidade para 2.400 detentas. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não informa quantas presas estão lá hoje. (leia a íntegra do despacho do juiz para a prisão preventiva).

A Penitenciária de Sant’Ana teve um pedido de intervenção feito pela Defensoria Pública de São Paulo em junho passado. A Defensoria alegou que as 2.600 presas que lá estavam em maio do ano passado não recebiam tratamento médico adequado e viviam sem condições mínimas de higiene.

De acordo com relatório da Defensoria, a água servida pelas detentas tinha cor amarelada, e – além disso – ratos e pombas circulavam pelas celas. As péssimas condições de higiene e assistência médica haviam sido responsáveis, segundo a Defensoria, pela morte de quatro mulheres apenas no primeiro semestre de 2007.

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